Rupestres Sonoros

Sobre essa obra

Neste projeto, lançado em 2009, o Mawaca se enveredou por uma arqueologia musical em torno de imagens ancestrais entendendo que o homem pré-histórico brasileiro foi o índio que dança, faz seus rituais, participa de festas, caça, bebe chicha, ama, pinta seu corpo com urucum, se reporta aos espíritos do céu, do ar e da terra e se adorna com colares e cocares.

O projeto Rupestres Sonoros representa o desejo de Magda Pucci de se enveredar pelo universo sonoro indígena. Com participações especiais de Marlui Miranda e Tetê Espíndola, o Mawaca apresenta arranjos arrojados sobre canções dos Paiter Suruí de Rondônia como So perewatxe e Koi txangaré; dos Kayapó do Xingu Tamota Moriorê; dos Pakaa Nova do Guaporé Duo Wari; dos Huni Kuin do Acre Matsã Kawa, Canção Kayapó entre outras. Assim, o grupo mostra parte da enorme diversidade musical dos povos indígenas, pouco conhecida do público brasileiro. 

Produzido por Marcos ‘Xuxa’ Levy, o álbum Rupestres Sonoros apresenta vários recursos da tecnologia na produção do CD, com delays, phasers, modulators, oitavadores e todos os tipos de reverbs que deram uma nova dimensão ao som do Mawaca, criando um resultado surpreendente. 

Abre o CD a música de nome Mawaca, escrita especialmente para o grupo, pelo compositor francês Philippe Kadosch. Nela, Kadosch, parceiro de Tetê Espíndola, cria uma língua imaginária a partir de sons de diversos idiomas em vias de desaparecimento. O resultado é uma sonoridade especial para o grupo, que tem em seu repertório músicas em mais de 15 línguas.

Magda também criou composições inspiradas nos nomes dos povos indígenas, como Asurini e Tupari.

O estímulo para a criação desse projeto veio tanto da antropóloga Betty Mindlin – que a convidou para trabalhar sobre o acervo sonoro dos  Paiter Suruí de Rondônia. Foram três anos, ao longo dos quais o grupo passou por diversas fases de elaboração. A cada momento, músicas e idéias ganhavam novos aportes por conta das pesquisas, das experiências em shows, das investidas em outras linguagens e das conexões com outras áreas, como a lingüística, a etnopoética, a arqueologia, os caminhos mitológicos e até mesmo a neurociência. 

Cantoras

Angélica Leutwiller – voz
Sandra Oakh – voz
Cris Miguel – voz
Cristina Guiçá – voz
Magda Pucci – voz
Zuzu Leiva – voz
Susie Mathias – voz

Instrumentistass

Ana Eliza Colomar  – flauta, hulusi e violoncelo 
Gabriel Levy – acordeom
Ramiro Marques – sax soprano e tenor
Paulo Bira – baixo elétrico 
Armando Tibério –bateria, caxixis, garrafas, cajón, congas e efeitos vários
Valéria Zeidan – vibrafone e frame drum, latas, djembé e alfaia

Participações especiais

Xuxa Levy: samplers, rhodes, flautas, ocarinas  Marlui Miranda: voz em Matsã Kawã Tetê Espíndola: voz em Mawaca e Waiko Koman Carlinhos Antunes: kora e voz em Tamota; cuatro em So perewatxe

O CD foi lançado em 2009 com a participação especial de Marlui Miranda e relançado no Auditório Ibirapuera no ano seguinte, quando foi feito o registro em DVD com a participação de Xuxa Levy e Carlinhos Antunes, com projeções do VJ Panais, criando um diálogo animado com as letras, grafismos indígenas e cenas do mundo rupestre. 

A cenografia foi assinada por Silvana Marcondes onde andaimes dialogam com bancos indígenas e os figurinos da jovem estilista Jessica Vidal.

O CD foi lançado em 2009 com a participação especial de Marlui Miranda e relançado no Auditório Ibirapuera no ano seguinte, quando foi feito o registro em DVD com a participação de Xuxa Levy e Carlinhos Antunes, com projeções do VJ Panais, criando um diálogo animado com as letras, grafismos indígenas e cenas do mundo rupestre. 

A cenografia foi assinada por Silvana Marcondes onde andaimes dialogam com bancos indígenas e os figurinos da jovem estilista Jessica Vidal.

O show desse projeto percorreu muitos lugares inclusive a Amazônia, por onde o Mawaca esteve em intercâmbio com seis grupos indígenas. O registro desses encontros foi feito por Eduardo Pimenta e está no documentário Cantos da Floresta. 

Muitos shows com esse repertório foram realizados com a presença de cantores indígenas, com destaque para o espetáculo Mekaron – A imagem da alma em que Mawaca divide o palco com o grupo Kayapó da aldeia Moikarakô do Pará. 

Galeria de Fotos do Espetáculo

Encarte do Disco

Créditos

Concepção, pesquisa de repertório
e arranjos acústicos
: Magda Pucci
Arranjos vocais: Magda Pucci
Arranjos de base: Magda Pucci, Paulo Bira e Xuxa Levy
Produção musical: Xuxa Levy, Paulo Bira e Magda Pucci

Mixado por Jordi Solé e Xuxa Levy – no Estúdio Musiclan – Espanha  – maio 2008
Masterizado por Omid Bürgin, Tonmeister Mastering – São Paulo, outubro 2008 – www.masterizacao.com.br
Pesquisa e redação: Magda Pucci

Edição de texto e revisão: Luciana Salgado – Confraria de Textos Design gráfico, direção de arte, diagramação do encarte: Adriana Florence Fotógrafo: Carlos Mancini Figurinos: Jessica Vidal   Produção Executiva: Ethos Produtora de Arte e Cultura Ltda. Giovana Almeida (executiva) e Márcia Caldeira (administrativo)

Coordenação Geral: Magda Pucci

 

Manifesto

EcoMúsica

um canto pela vida

Há uma floresta que respira dentro de nós.
Há rios que correm pelas nossas veias.
Há cantos que vêm de muito antes de nós
e que guardam a memória da Terra.

Quando uma árvore cai, não cai apenas uma árvore.
Cai uma morada, um alimento, uma história.

Quando um rio adoece, adoecem também os povos que dele vivem.
Quando um povo perde seu território,
o mundo inteiro perde um pouco de sua humanidade.

Por isso, precisamos caminhar ao lado dos povos indígenas,
aliar nossas vozes às suas vozes,
reconhecer seus saberes, respeitar seus territórios
e aprender outras maneiras de habitar o mundo.

Queremos rios livres, florestas de pé,
terras indígenas demarcadas, povos respeitados.
Queremos que a diversidade da vida
seja tão valorizada quanto a liberdade de pensar,
de cantar, de discordar e de sonhar.

Porque a democracia também é isso:
a possibilidade de muitas vozes coexistirem,
sem que uma queira calar todas as outras.

Dizemos não à intolerância,
ao silenciamento, à violência
e à perda de direitos conquistados com tanta luta.

Hoje, cantamos pela floresta,
pelos povos originários,
pelas águas, pelos pássaros
e por todos aqueles que ainda virão.

Que a nossa música não seja apenas beleza,
mas também memória, cuidado e compromisso.

E que, diante das escolhas que definem nossos caminhos,
saibamos reconhecer o valor de cada conquista,
a responsabilidade de cada voto
e a importância de não permitir retrocessos.

Que possamos seguir construindo um país
onde a vida seja digna,
a natureza respeitada,
a diversidade acolhida
e o futuro sustentável para todos.

Porque cuidar da democracia,
caminhar ao lado dos povos da Terra
e defender os direitos de todos
é cuidar da vida que queremos deixar
para as próximas gerações.

🎊 Três décadas de Mawaca!

Uma página especial para comemorar nossos 30 anos de estrada.

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