Os Lusíadas

Sobre essa obra

O CD Os Lusíadas é resultado de uma trilha sonora composta por Magda Pucci para um espetáculo teatral,  uma adaptação do épico do grande escritor portugues Luís de Camões feita por José Rubens Siqueira com direção de Iacov Hillel e produção de Ruth Escobar. Magda Pucci teve a árdua tarefa de musicar alguns dos principais poemas de Camões além de ambientar musicalmente as cenas da trajetória da esquadra de Vasco da Gama em busca das Índias.

O CD ‘Os Lusíadas’ representa o terceiro projeto do grupo Mawaca, fruto da trilha sonora composta por Magda Pucci e colaboradores para o espetáculo cênico-musical produzido por Ruth Escobar em 2000.

Magda musicou diversos poemas de Luís de Camões, transformando-os em canções que foram inicialmente interpretadas pelos atores e atrizes da peça e, posteriormente, gravadas pelas vozes das cantoras do Mawaca e convidadas.

Para garantir autenticidade e riqueza cultural, especialistas em idiomas africanos, árabes e indianos foram consultados na criação das letras das canções, especialmente aquelas que marcam a chegada da esquadra de Vasco da Gama aos países orientais e à tão almejada Índia. Essa abordagem reforçou a dimensão multicultural da obra, refletindo a diversidade de povos e culturas encontrados durante as navegações portuguesas.

Segundo Magda Pucci, diretora musical do projeto, além de incorporar influências do estilo de Madredeus — uma forte referência da música portuguesa contemporânea —, a trilha buscou destacar o caráter épico da encenação. Para isso, contou com a participação de *36 músicos* das melhores orquestras de São Paulo, que trouxeram grandiosidade e profundidade às composições.

A trilha sonora do CD ‘Os Lusíadas‘ é marcada por uma variedade de estilos musicais, que acompanham os diferentes momentos da jornada da esquadra. Em cenas de tempestades em alto mar, por exemplo, a música caminha em direção a ritmos quebrados e intensos, inspirados em Stravinsky, criando uma atmosfera de tensão e movimento.

Já nas cenas que retratam o cais do porto, temas de caráter medieval predominam, enquanto melodias suaves, influenciadas por Satie e Debussy, ambientam as cenas de amor entre os lusonautas e as ninfas na Ilha dos Amores.

Para realizar essa empreitada de grande fôlego — que incluiu compor e gravar a trilha em pouco mais de um mês —, Magda Pucci reuniu uma equipe dedicada, formada por três músicos do Mawaca: a violinista Cíntia Zanco, assistente de direção musical e orquestração; o saxofonista Ramiro Marques; e o clarinetista Itamar Vidal, responsáveis pelos arranjos das composições de Magda. Juntos, trabalharam com afinco para garantir que a música refletisse a complexidade e a grandiosidade da obra de Camões.

O repertório desse álbum histórico foi executado ao vivo pelo Mawaca em 2001, acompanhado pela *Orquestra Sinfonia Cultura, sob a regência do maestro João Maurício Galindo. As apresentações ocorreram no Teatro da Hebraica e no Sesc Belenzinho, consolidando o projeto como um marco na trajetória do grupo e na cena musical brasileira

Cantoras

Angélica Leutwiller – voz
Sandra Oakh – voz
Cris Miguel – voz
Cristina Guiçá – voz
Magda Pucci – voz
Zuzu Leiva – voz
Susie Mathias – voz

Instrumentistas

Ana Eliza Colomar – flauta e cello
Cintia Zanco – violino
Gabriel Levy – acordeom e harmonium
Armando Tibério – tablas, cajon, derbak, alfaia e pratos
Ramiro Marques – sax soprano e tenor
Valéria Zeidan – virafone, pandeirão, bendir e glockenspiel
Luis Antonio Ramoska – fagote
Itamar VIdal Jr. – Clarone

Participações especiais

Andre Magalhães, Camilo Carrara, Dalga Larrondo, Fabiana Lian, Fabio Atorino, Fernando Jr. , Marcus Santurys, Heloisa Junqueira, Fernando Patau, Ratnabali Adhikari, Regina MAchado e Renato Anesi.

Encarte do Disco

Manifesto

EcoMúsica

um canto pela vida

Há uma floresta que respira dentro de nós.
Há rios que correm pelas nossas veias.
Há cantos que vêm de muito antes de nós
e que guardam a memória da Terra.

Quando uma árvore cai, não cai apenas uma árvore.
Cai uma morada, um alimento, uma história.

Quando um rio adoece, adoecem também os povos que dele vivem.
Quando um povo perde seu território,
o mundo inteiro perde um pouco de sua humanidade.

Por isso, precisamos caminhar ao lado dos povos indígenas,
aliar nossas vozes às suas vozes,
reconhecer seus saberes, respeitar seus territórios
e aprender outras maneiras de habitar o mundo.

Queremos rios livres, florestas de pé,
terras indígenas demarcadas, povos respeitados.
Queremos que a diversidade da vida
seja tão valorizada quanto a liberdade de pensar,
de cantar, de discordar e de sonhar.

Porque a democracia também é isso:
a possibilidade de muitas vozes coexistirem,
sem que uma queira calar todas as outras.

Dizemos não à intolerância,
ao silenciamento, à violência
e à perda de direitos conquistados com tanta luta.

Hoje, cantamos pela floresta,
pelos povos originários,
pelas águas, pelos pássaros
e por todos aqueles que ainda virão.

Que a nossa música não seja apenas beleza,
mas também memória, cuidado e compromisso.

E que, diante das escolhas que definem nossos caminhos,
saibamos reconhecer o valor de cada conquista,
a responsabilidade de cada voto
e a importância de não permitir retrocessos.

Que possamos seguir construindo um país
onde a vida seja digna,
a natureza respeitada,
a diversidade acolhida
e o futuro sustentável para todos.

Porque cuidar da democracia,
caminhar ao lado dos povos da Terra
e defender os direitos de todos
é cuidar da vida que queremos deixar
para as próximas gerações.

🎊 Três décadas de Mawaca!

Uma página especial para comemorar nossos 30 anos de estrada.

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