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Confira entrevista da diretora musical do Mawaca no Estadão sobre o show infantil do grupo

 

Nos finais de semana de maio, o Mawaca se apresenta em São Paulo com o espetáculo infantil ‘Pelo mundo com Mawaca’, baseado no livro De todos os cantos do mundo (Cia das Letrinhas) e com repertório de diversas partes do mundo.

Confira a entrevista que a diretora musical do grupo, Magda Pucci, concedeu para o guia Divirta-se do jornal O Estado de São Paulo:


DO OUTRO MUNDO

Mawaca, o grupo de música étnica, inicia fase mais teatral em Pelo Mundo com Mawaca, a partir de domingo (3), no Teatro Viradalata. Conversamos com a diretora Magda Pucci para saber mais sobre o trabalho:

– Quando e como surgiu a ideia de criar um grupo étnico?
O Mawaca surgiu da vontade de conhecer e experimentar os sons vocais coletivos de mulheres de diferentes lugares do mundo como Bulgária, Finlândia, países da África, Índia, Japão.

Reuni um grupo de cantoras que se interessavam pelos temas musicas desses lugares e começamos a cantar. Depois foram chegando os instrumentistas que também movidos pela vontade de conhecer essas diferentes sonoridades, foram agregando novos timbres. E assim surgiu esse grupo que existe há mais de 17 anos, pesquisando e recriando a música de diferentes povos do mundo.

– Como funciona a ‘colheita’ de material para os discos de vocês?
Eu ouço muitos CDs (antes em fitas cassetes!) e também adiciono material de pesquisa de etnomusicólogos e também de artistas que estão atuando no mercado da world music.

Tive um programa de rádio de world music por 13 anos que era transmitido pela Radio USP e pela Multikulti na Alemanha e isso me fez conhecer muita música do mundo, desde sons mais acústicos até propostas mais pop/fusion. Daí, vou anotando o que me interessa mais, busco alguns temas que podem ser fios condutores de uma pesquisa, de um projeto e vou aprofundando nos arranjos.

Testo os arranjos com a banda, e assim vamos reiventando a tradição conforme nossas necessidades e demandas, adaptando para nossos instrumentos, fazendo incursões pelos ritmos brasileiros, fusões com melodias daqui, brincando com os elementos das culturas que em vários momentos são possíveis de serem mesclados.

– ‘Pelo Mundo com Mawaca’ já foi apresentado ano passado, mas parece que vocês têm novos planos com esta temporada, correto?
O espetáculo para crianças já passou por vários formatos. Começamos de forma tímida logo quando lançamos o livro ‘De todos os cantos do mundo’ (Cia das Letrinhas) que escrevi em parceria com a Heloisa Prieto e que era baseado em algumas canções do Mawaca que a gente sabia que as crianças curtiam. Daí surgiu um show apenas musical.

Esse show foi crescendo, fomos acrescentando algumas histórias, que entremeavam as músicas. Agora chamamos o Wanderley Piras do Pia Fraus e da Cia. Da Tribo para nos dirigir. Daí criei um roteiro mesmo como se fossemos viajar pelo mundo e o Wando costurou as cenas todas com a maestria de quem entende de teatro infantil, sabe como ninguém dirigir atores.

Isso deu um outro pique pro espetáculo e o tornou bem mais teatral, mais arrojado, com mais elementos como bonecos, projeções que dialogam com as cenas, teatro de sombras, enfim, é uma grande viagem pelo mundo em que vamos apresentando elementos culturais de cada pais por onde passamos.

– O show/espetáculo passa por quantos países? Há quantas músicas? Como é ‘encenada’ cada uma?
O espetáculo passa pela França, por Portugal, Tanzânia, Israel, pelo Brasil, pela Índia, pela Albânia, pela Grécia, pelo Japão…

Em cada uma das músicas, escolhemos um elemento que conduz a cena. Por exemplo: na canção japonesa Hotaru Koi, contamos a história do menino que gostava de pegar as estrelas, mas como não conseguia, sua vó fez lanternas (chochin) de papel com vagalumes dentro, que é uma antiga tradição japonesa. Isso tudo é contado com teatro de sombra com sonoplastia ao vivo.

Durante a canção a capella, os músicos carregam ao fundo os chochin (as lanternas). Para a canção indígena Koi txangaré, contamos um trecho de um mito dos Paiter Suruí de Rondônia de onde a canção surgiu. A música surge de diferentes formas, no inicio como uma ameaça, depois como um grito de guerra, e depois como uma cantiga de ninar.

No meio da historia, surge o boneco Curupira que é invocado para salvar as mulheres que ficaram prisioneiras. Na canção Çirigoça, fazemos menção a menina que gosta de dançar e saracotear que é personagem da canção, que fala com sotaque português de Portugal e é muito engraçada. Na canção em swahilli, da Tanzânia, contamos a história do Deus Sol utilizando máscaras lindas.

– Por que Wanderley Piras?
Eu já tinha trabalhado com o Wando antes na Cia da Tribo. Fiz a trilha do Quixote Caboclo para ele. E nos demos muito bem. Percebi que ele tem uma forma de dirigir leve, gostosa que leva em consideração muito o potencial do ator sem forçar a barra. E além da Cia. da Tribo, tem toda a experiência com o Pia Fraus também. E para transformar um show musical num espetáculo teatral, seria importante ter um diretor com toda essa experiência. Fez toda a diferença.

Mesmo algumas das cantoras sendo atrizes (Zuzu e Sandra) é diferente ter na direção alguém que tem a perspectiva mais teatral, que entende o espetáculo como um todo. Em geral, a gente mesmo se dirige nos shows. Mas nesse processo com o infantil foi diferente. Houve muitos ensaios, mudamos o roteiro várias vezes, trabalhamos as marcações e personagens para cada música, os músicos tiveram que se integrar de forma mais próxima às cenas, enfim demorou até chegarmos a um resultado mais cênico e acho que ficou bem bom. Sem ele, esse processo teria ficado amador. Rsss.

No cenário, além dos adereços do Núcleo Fora da Ordem, tem o videocenário do Adriano Carvalho que é maravilhoso! Que dá um toque todo especial para o espetáculo e que dialoga muito bem com tudo. O Adriano é um cara sensível e de super bom gosto e que captou bem a ideia do espetáculo.

– Por que, na sua opinião, o Mawaca encanta tanto as crianças?
Olha, Mawaca sempre encantou as crianças desde o inicio. Isso era o que os pais comentavam com a gente quando iam aos nossos shows. Às vezes, eles comentavam que os filhos ficavam ouvindo os CDs direto, gostavam de determinadas músicas e não paravam de ouvi-las! E eu fiquei com isso na cabeça, pensando que um dia seria legal fazer um espetáculo só para elas.

Porque embora as músicas não sejam de crianças, são músicas atávicas, muito antigas, que tem uma universalidade, tem um ethos, especial, porque tiveram a força de transpor séculos (algumas) pela força da tradição oral. Por isso, são canções fortes que pegam na alma. E as crianças são antenas, né? Tem essa capacidade de captar essa força universal dessas canções. Elas gostam da música da deusa indiana Kali, da Cangoma (canto dos escravos), da Jarnana, do Koi txangaré.

Não são músicas que falam do universo infantil, mas tem uma grande força realmente. Além do mais, crianças gostam de línguas diferentes e o Mawaca é um prato cheio para elas. Cantamos em mais de 20!

– Por quantos países vocês já passaram?
Mawaca já viajou por muitos países: Para China fomos três vezes, sendo que na primeira, fizemos 24 shows na Expo Shanghai a convite do Comitê Chinês. Fomos para Portugal, Espanha, França, Alemanha, Grécia, Bolívia.

Para o Brasil viajamos para algumas cidades do interior de São Paulo, para Minas, Rio, Nordeste (Recife, Garanhuns e Aracaju) e pro Norte durante a turnê que fizemos pela Amazônia (patrocinada pela Petrobras) no Acre, Rondônia e Amazonas. Mas nunca fomos ao Sul, por exemplo! Louco, né? Pois é, a gente queria viajar mais pro Brasil!

– Por que o Viradalata? Como foi essa parceira?
O Viradalata é um teatro que se especializou em teatro infantil de qualidade. E decidimos apostar na temporada como se fossemos uma companhia de teatro, coisa que nunca fizemos. Acho que vai ser legal essa parceria. Estamos confiantes.

SERVIÇO
ONDE: Teatro Viradalata (270 lug.). R. Apinajés, 1.387, Perdizes, 3868-2535.
QUANDO: sáb. e dom., 16h. Até 31/5.
QUANTO: R$ 30.
Rec.: 3 anos. 60 min.

Confira o texto original

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